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Emílio Odebrecht

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estética exótica?

O racismo brasileiro foi construído e encontra-se tão arraigado na cultura brasileira que podemos até nos afirmar como racistas inconscientemente. Como disse Florestan Fernandes, temos "preconceito de ter preconceito" (1972) em uma nação que manifesta um racismo explicitamente negado e implicitamente aceito.
A sociedade brasileira caminha para o desenvolvimento sem ver que uma parte da população foi condenada ao fracasso e à negação de si mesma. Nosso cotidiano é marcado por questões que permeiam a construção de uma estética e uma linguagem ideal: a branca, consolidando as oposições entre positiva, negativa, neutra ou indefinida. Cabelo pixaim, bochechas grandes e nariz achatado são traços físicos mais comuns dos negros e negras e que são assumidos pela mídia em uma certa proporção mínima, mas continuam representando uma estética "exótica". A valorização da estética negra deu maior vasão com o movimento hip-hop, nascido nos guetos negros dos Estados Unidos, que colocou o orgulho das raízes africanas.

No entanto, cabe ressaltar que a maior parte da população negra brasileira não assume os seus traços étnicos e acaba tendo a sua auto-estima atingida. A todo momento são impostos padrões de beleza delineados por um modelo de beleza feminino branco, de cabelo liso, nariz afilado e classificações como morena(o). Precisamos desenvolver ações que busquem a valorização da estética negra, não só pela mídia, mas pelos movimentos sociais. Políticas de cunho universalistas não resolvem a desigualdade num país em que as relações sociais estão intrinsecamente ligadas às relações étnicas. Qualquer medida para o combate à pobreza deve levar em conta as relações étnicas e a valorização da identidade negra. O rompimento com uma cultura racista em toda a sua amplitude depende de nós que fazemos movimento social no Brasil.

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